terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Ler + Compensa! Tertúlia Literária
domingo, 5 de dezembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Avaliação das Novas Oportunidades
A Agência Nacional para a Qualificação publicou no seu sítio os documentos referentes à avaliação desta iniciativa no ano de 2010.
Estes documentos estiveram na origem das notícias que surgiram nos jornais nacionais nos últimos dias e que formo dando conta neste blogue.
Disponibilizamos aqui os originais para consulta.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Novíssimo Testamento de Mário Lúcio
“Eu julgo que, pela própria humanidade, se Jesus fosse mulher o mundo seria melhor. É que, o que tem faltado aos sucessivos loucos da humanidade é amor.”
“No tempo em que os Portugueses imperavam sobre o arquipélago de Cabo Verde, aconteceu num domingo de Páscoa, na minúscula freguesia do Lém, estar a morrer a mulher mais beata que a ilha de Santiago conhecera. Este Novíssimo Testamento é uma autêntica revolução pois dá testemunho da reencarnação de Jesus no corpo de uma mulher - ilhéu e africana - que parece ter vindo inaugurar a Terceira Idade do Mundo, mas não está livre de enfrentar os preconceitos sociais, religiosos e políticos do seu tempo.”
in FNAC
Entrevista de Mário Lúcio ao jornal A Nação
O júri refere que o Novíssimo Testamento “se distingue de todas as outras apresentadas a concurso”, pela “grande originalidade da abordagem que faz ao religioso, colocando a hipótese de Jesus ter sido mulher e explorando as vastas implicações e consequências dessa hipótese”…acredita mesmo que Jesus poderia ter sido mulher ou Mário Lúcio preferia que Jesus fosse mesmo mulher?
Poderia ter sido, é uma hipótese literária, sendo Deus unisex ou assexuado: Eu abro essa hipótese como uma forma da complementaridade da grandeza humana. Jesus histórico existiu, nasceu há mais ou menos dois mil anos, foi um dos homem mais iluminados da história, depois de Siddharta Gautama. Poeticamente, Jesus é tão grande que não poderia caber num só género. Mas se Jesus tivesse sido mulher eu talvez tivesse escrito a minha preocupação querendo que Jesus encarasse o mundo do ponto de vista masculino. Na verdade, a minha vontade criativa era saber como é que Jesus encararia o mundo, como é que faria os milagres, como é que pregaria os sermões, como é que se relacionaria com as crianças, com os homens, com as mulheres e com a ideia de Deus, se Jesus tivesse sido mulher. É evidente que isto mudaria, absolutamente, tudo.
Como ela diz no livro, se Jesus tivesse sido mulher não teria sido crucificada, mas sim apedrejada até à morte, que era o castigo imposto na época. E isto mudaria toda a configuração da religião cristã.
Como assim?
É que, por exemplo, até a Cruz, que é o símbolo maior, deixaria de ter o seu significado e, talvez, hoje em dia o Vaticano fosse representado por um cascalho, umas pedrinhas que, como refere Jesus no livro, as crianças dizem ser as estrelas do chão. E isso muda tudo. Repete-se todo o novo testamento de novo. Alguém diz: “você não é nada Jesus, se é Jesus então transforma pedras em pães”. Então ela diz, “eu não transformo pedras em pães mas posso alimentar-vos com o leite do meu seio que foi alimento bem antes do pão”. Vejamos que já Eva o levava nas tetas, mesmo antes que Adão tivesse descoberto o trigo, o forno e o pão que o diabo amassou.
Portanto, tudo isto muda o conceito do mundo e não é uma suposição histórica, mas uma ficção.
(…)
Acha que o rumo do mundo teria sido diferente se ele fosse uma mulher?
Evidentemente. Este é um tema que me interessa muito como sujeito poético. A fêmea é mais velha que o macho geneticamente, pois, na gestação, os gâmetas são todos fêmeas no início. Socialmente, a forma como as mulheres são educadas faz com que tenham maior atenção em relação às crianças, há uma ternura maior no sexo feminino e há um jeito mais requintado de abordagem das coisas, no vestir-se e no falar, e na tolerância.
No Novíssimo Testamento há cenas incríveis num bar, quando Jesus transforma água em vinho e os homens vão reparando o comportamento de Jesus, e dizem, é verdade, uma mulher quando bebe não cospe para o chão, quando está satisfeita de um bom vinho, não arrota, não esfrega a mão na barriga nem vai para o pé da janela mijar. Toda essa diferença poética é notada pela própria comunidade.
Eu julgo que, pela própria humanidade, se Jesus fosse mulher o mundo seria melhor. É que, o que tem faltado aos sucessivos loucos da humanidade é amor.
(…)
Impacto das Novas Oportunidades
O Jornal Público apresenta na sua edição de 22 de Outubro uma análise sobre a avaliação das Iniciativa Novas Oportunidades realizada por uma equipa da Universidade Católica. Algumas ideias-chave:
“Um em cada três adultos afirma que a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) teve "pelo menos" um factor positivo na sua vida profissional. Destes, a maioria dos que mudou de emprego diz que o fez para melhor. Há ainda cerca de dez por cento que sentiu melhorias nos salários. Além da vida profissional, também na pessoal, verifica-se um acréscimo da auto-estima, revela a avaliação externa coordenada pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, da Universidade Católica Portuguesa.
Ao todo há 32 por cento que declara que a INO teve factores positivos na vida profissional. Para Luís Capucha, director da ANQ não são "só", mas são "já 32 por cento", isto porque a iniciativa avalia 18 meses da vida dos inquiridos. "Não podemos olhar para este número isolado porque é preciso ver o número de empresas que já assumiu contratos com os centros de Novas Oportunidades [cerca de oito mil]", declara, em conferência de imprensa, ao início da tarde, em Lisboa.
A avaliação que os adultos fazem é positiva. Começa logo no primeiro contacto com o Centro Novas Oportunidades, onde destacam a qualidade de serviço, das equipas e das instalações. Os inquiridos consideram “muito importante” a passagem pela INO – 85 por cento diz estar disponível para recomendar a experiência a outros adultos. Entre os que afirmam terem tido ganhos no trabalho: 27 por cento afirma que viu alargadas as suas competências; 21 por cento refere que passou a ter pessoas à sua responsabilidade ou viu esse número ser aumentado. A maioria diz que se tornou mais fácil lidar com assuntos de trabalho, outros tiveram melhorias ao nível de regalias. Quase dez por cento declara que se ficar desempregado está convencido que poderá arranjar trabalho com mais facilidade.
Mas os maiores ganhos são em literacia e no uso das novas tecnologias. Na verdade, o inquérito verifica que há uma melhoria generalizada das competências pessoais e sociais, cívicas e culturais. Comparativamente ao ano passado, este ano, intensificou-se o acesso dos indivíduos certificados que utilizam a Internet para uso pessoal e profissional – aumentou de 67 para 83 por cento -, e os “heavy users” subiram de 35 para 60 por cento.
Verifica-se ainda um aumento da procura do 12.º ano entre os que aderiram mais recententemente, em particular as pessoas que já estão empregadas, mas também domésticas. Também se nota uma procura por parte de casais, em especial do que é menos qualificado, nomeadamente quando se trata do homem. Por outro lado, quando um dos elementos do casal embarca na aventura da INO, existe a elevada probabilidade de o outro também aderir.
Também se verificam ganhos na auto-estima de quem frequenta o programa. Os adultos confessam que têm mais cultura geral e vontade de prosseguir os estudos. Assim como aumenta o sentimento de "segurança e de extroversão”.
Para os peritos internacionais, convidados pela ANQ para debater e propôr novas pistas para a avaliação externa, a INO é uma boa prática, um exemplo a seguir por outros países.
domingo, 24 de outubro de 2010
Entrevista de Luís Capucha no Público
O ensino e formação dos jovens e dos adultos é essencial para o país. Graças a ele o panorama escolar já está a mudar, não só para os que participam, como para as próprias famílias. Há mais gente a valorizar a escola, acredita. Por isso, a INO merece o reconhecimento de todos, diz quem, em tempos, foi operário, trabalhador-estudante e é hoje professor universitário.
Pode ler a entrevista completa aqui
Alguns destaques:
Esse é um dos pontos polémicos. Por exemplo, no processo de RVCC, as pessoas são avaliadas pelo que sabem e não pelo que aprenderam. Concorda?
O acesso à certificação obedece à avaliação daquilo que é o resultado das aprendizagens. Todas as vias oferecidas têm os seus métodos, as suas regras de avaliação que avaliam as competências das pessoas, de carácter mais cognitivo, quer mais operacional, do saber fazer e do saber aprender.
Como?
Os alunos quando obtêm um diploma, esse corresponde às competências que têm. Existem referenciais que estabelecem as áreas de competências que têm que ser possuídas e toda a avaliação de conhecimentos e os júris de certificação garantem que as pessoas possuem essas competências. Há dois grandes indicadores que mostram que as pessoas saem mais capacitadas, preparadas para os desafios: a adesão das empresas à INO e os testemunhos das pessoas.
Um adulto pode chegar com o 6.º ano e sair, em poucos meses, com o 12.º?
Pode acontecer. Há uma ruptura com a lógica de disciplinas, das metodologias de ensino e aprendizagem para uma lógica mais abrangente de evidenciar o que o adulto sabe e integrar a sua experiência. Um autarca com o 6.º ano não tem experiência e competências que lhe permita terminar o secundário? Não tem mais do que um jovem de 18 anos que conclui o secundário? Não vou preocupar-me com o tempo que as pessoas levam a adquirir um certificado. Eu preocupo-me se o mecanismo da avaliação está a ser cumprido com rigor. Quem passar pela INO tem que passar por todos os saberes. Os nossos alunos têm que demonstrar competências.
Nessa crítica está implícita a rapidez com que todo este processo é feito.
O que há a criticar é não ter sido feito antes. Foi feito com rapidez, mas nestas coisas da educação é preciso agir com rapidez. A grande diferença é que as medidas que constam da INO foram tomadas como prioridades pelo Governo e foram associados meios para atingir estes resultados. Os centros RVCC já existiam, assim como o ensino profissional, a formação de adultos... Porque é que não produziam resultados? Porque faltava a prioridade política, os meios e a massa crítica. Com aquele ritmo levaríamos 60 anos, neste momento, são precisos menos de dez anos para convergir com a Europa. Há movimentos que ocorrem numa grande velocidade.
Nessa velocidade não se perde qualidade?
O primeiro pilar da qualidade é a quantidade. Digo-o com toda a convicção. Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam. Isso não acontece com os nossos alunos porque são obrigados a demonstrar competências.
Porque é que não se fez antes esta mudança?
Porque há um factor social muito forte que tem a ver com o valor dos diplomas escolares. São muito valorizados. A democratização de acesso implica verdadeira abertura social e de mobilidade, o que cria pressão junto de determinadas elites que não deixaram de reagir. Há uma democratização mal tolerada do acesso aos diplomas escolares.
Vê com maus olhos a possibilidade de alterar a lei de acesso ao ensino superior por causa do aumento do número de alunos que entram pela INO?
Há pessoas que fazem percursos brilhantes numa modalidade que não lhes dá acesso ao superior e para isso têm que fazer um exame. Se o ensino superior decidir alterar as regras, que faça o que entender. Não vejo que os adultos que entram sejam piores do que os outros e são muito úteis.
Porquê?
Porque o nosso sistema precisa de qualificações, não temos licenciados a mais, são pessoas que fazem um enorme esforço, que dão um enorme contributo. Fico muito satisfeito que os nossos alunos tirem muito boas notas nos exames do secundário.
Programa de Formação em Competências Básicas
O Governo português apresentou no DR de 22 de Outubro o Programa de formação em competências básicas, que visa
que visa a aquisição, por parte dos adultos, de competências
básicas de leitura, escrita, cálculo e uso de tecnologias de
informação e comunicação e a sua posterior integração,
enquanto formandos, em cursos de educação e formação
de adultos (cursos EFA) de nível B1 ou B1+B2 ou em
processos de reconhecimento, validação e certificação de
competências de nível básico
Este programa procura destina-se ao grupo de adultos
portugueses que não possui as competências básicas que lhes
permita aceder a ofertas de qualificação e envolver-
-se nos percursos formativos disponíveis (EFA, Formações Modulares e RVCC).
A este propósito, Luís Capucha, presidente da ANQ, citado pelo JN de 24 de Outubro, estimou que 10% dos idosos portugueses sejam iletrados e que 20% - alguns ainda na vida profissional activa - só tenham a antiga escola primária. Os analfabetos são, por isso, um dos próximos alvos do programa Novas Oportunidades (NO). O outro serão os empresários.
O curso - que pretende transmitir ou recuperar competências básicas como ler e escrever - está a ser ultimado e deve ser lançado até final do ano. Ainda "sem metas definidas" e apesar de "muitas escolas darem resposta" à literacia de adultos, no NO quando se lança um programa de formação "falamos sempre em dezenas de milhares de pessoas", sublinha o presidente da Agência Nacional de Qualificação (ANQ). "Queremos que a aprendizagem ao longo da vida seja uma realidade".
Pode consultar a legislação aqui